Singular

/
0 Comments

Quisera eu andejar por aí sem máscaras
Mas o vento insiste em tocar meu rosto com mãos de carpinteiro
Posso sentir o rigor do tempo talhar a face
(Quão rígidos se pretendem os traços!)
Ah, toda essa fatalidade. . .
Mas que busca um animal feito eu no teatro social?
Reconhecimento, decerto
Vede como gozam os espectadores dessa tragédia, dopados de simulacros
Vede a veemência com que aplaudem, esses seres mortiços
Que faço pra sair dessa encenação se hoje tenho o nome 
impresso nos papéis?
Eis o pranto do artista que ao enredo subjaz
Ah, toda essa teatralidade. . .
Que desvios fluam pelas vias da vida
Pois assim tornar-me-ei criador de mim
Inda hei de viver sem máscaras, disso sei
Pela arte, loucura ou solidão


Tecnologia do Blogger.