Solidão ativa e seus encontros

- por Higor Gusmão//

Tudo aquilo que acreditamos ser se materializa no discurso. É através do diálogo que comunicamos aos outro os predicados que comportamos. E todo discurso, intrinsecamente, encontra suas origens sob o oceano do social, dessa maneira, aquilo que achamos ser é, na verdade, o que os outros ou a sociedade acham que somos. O “eu” em mim é o outro em mim, da mesma forma que o encontro com outro é, precisamente, encontro com o “eu” do outro. Nesse sentido o diálogo se apresenta terrível, ao passo que somos lançados á órbita dos acontecimentos incorporais, de forma surpreendente, nos ausentamos ante a presença da vida. Ocupados demais em formular e responder perguntas, típico exercício de distribuição e revezamento de poder. Acabamos esquecendo o que se passa conosco à medida que nos efetuamos, que nos encontramos com outros corpos pelo caminho, à medida que somos violentados pelo tempo a queimar nosso elã vital. Enquanto não aprendermos a ver no acontecimento de nós mesmos fonte de desejo e de realidade (motor do real) vamos continuar precisando de sínteses. Apenas a solidão ativa, povoada de afetos, criações e encontros que não o outro, se apresenta como um horizonte imediato de efetuação. Experimente trocar a multidão de bocas se abrindo e fechando, sem ninguém pra dublar, pelo caminhar solitário. Por entre a vegetação úmida sinta a vida que lhe toca os poros, logo em seguida, deite-se ali mesmo onde os teus sentidos julgarem mais aprazível, tal ação nos permite o reencontro com a natureza em nós, razão de potência sem a qual não a criação de existência.
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